quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Aprendendo com o grande

Outro dia, resolvi ler sobre Charles Chaplin, para saber um pouco sobre a vida tão frutífera dessa importante figura.

Uma das melhores cenas é a cena final de "O Grande Ditador",
e lá está um dos melhores discursos, sensível, profundo e sincero: o discurso de Chaplin, que expõe toda sua indignação por tudo o que acontecia naquele momento no mundo (o filme foi lançado em 1940). E ainda acontece...

Aqui divido o vídeo e a minha tradução do discurso.







Desculpem-me, mas não quero ser Imperador, esse não é meu trabalho. Eu não quero controlar ou dominar ninguém. Eu gostaria de ajudar a todos, se possível, judeus, gentios, negros e brancos. Todos nós queremos ajudar uns aos outros, os seres humanos são assim. Todos queremos viver pela felicidade do outro, não pelo sofrimento do outro. Não queremos nos odiar nem desprezar. Neste mundo, há espaço para todos e a terra é rica e pode suprir a necessidade de todos.

Nosso jeito de viver pode ser livre e belo. Mas perdemos o jeito.

A ganância envenenou a alma dos homens, criou barreiras no mundo feitas de ódio; nos fez marchar em direção ao sofrimento e à matança.

Nós desenvolvemos a velocidade, mas nos trancamos em nós mesmos:
as máquinas que nos oferecem abundância nos deixaram carentes.
Nosso conhecimento nos fez cínicos,
nossa esperteza, duros e rudes.
Pensamos muito e sentimos muito pouco:
Mais do que maquinário, precisamos de benevolência;
Mais do que esperteza, precisamos de bondade e gentileza.

Sem essas qualidades, a vida pode ser violenta e tudo estará perdido.

O avião e o rádio nos uniram. A pura natureza dessas invenções suplica pela bondade dos homens, suplica pela fraternidade universal, pela união de todos nós. Agora mesmo, minha voz está chegando a milhões de pessoas no mundo todo, milhões de homens, mulheres e crianças desesperados, vítimas de um sistema que faz os homens torturar e prender pessoas inocentes. Aos que podem me ouvir, eu digo “Não se desesperem”.

O sofrimento que nos cerca agora não é nada mais que a passagem da ganância, da amargura dos homens que temem o caminho do progresso humano: o ódio dos homens passará e ditadores morrerão, e o poder que eles tomaram das pessoas retornará a elas, e enquanto os homens morrerem [agora], a liberdade nunca findará...

Soldados: não se entreguem aos brutos, homens que os desprezam e os escravizam, que arregimentam suas vidas, os dizem o que fazer, o que pensar e o que sentir, que os treinam, os alimentam e os tratam como gado, como bucha de canhão.

Não se entreguem a esses homens que não são naturais, homens-máquinas, com mentes de máquinas e corações de máquinas. Vocês não são máquinas. Vocês não são gado. Vocês são homens. Vocês têm o amor da humanidade em seus corações. Vocês não odeiam, apenas os que não são amados odeiam. Apenas os que não são amados e não são naturais. Soldados: não lutem pela escravidão, lutem pela liberdade.

No capítulo dezessete de São Lucas, está escrito:
“O reino de Deus está dentro do homem”
Não de um homem, nem de um grupo de homens, mas de todos os homens; de vocês, o povo.

Vocês têm o poder, o poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade. Vocês têm o poder de fazer a vida ser livre e bela, de fazer desta vida uma maravilhosa aventura. Então, em nome da democracia, usemos este poder, unamo-nos. Lutemos por um novo mundo, um mundo decente que dará aos homens a chance de trabalhar, que dará a vocês o futuro, a velhice e a segurança. Com a promessa dessas coisas, os brutos chegaram ao poder, mas eles mentem. Eles não cumprem suas promessas, eles nunca as cumprem. Ditadores se libertam, mas escravizam o povo. Lutemos agora para cumprir essa promessa. Lutemos para libertar o mundo, para acabar com as barreiras entre nações, com a ganância, o ódio e a intolerância. Lutemos por um mundo com razão, um mundo em que a ciência e o progresso levarão todos os homens à felicidade.

Soldados! Em nome da democracia, unamo-nos!

...

Hannah, você está me ouvindo? Onde quer que esteja, olhe para o céu, Hannah! As nuvens estão se abrindo e o sol está surgindo. Estamos saindo da escuridão e indo para a luz. Estamos chegando a um mundo novo. Um mundo novo e bom em que os homens estarão acima de seu ódio, sua ganância e sua brutalidade.

Olhe para o céu, Hannah. À alma do homem foram dadas asas, e finalmente ele começa a voar. Ele está voando para o arco-íris, para a luz da esperança, para o futuro, o futuro glorioso que pertence a você, a mim e a todos nós. Olhe para o céu, Hannah! Olhe para o céu!