E lá fui eu mais uma vez dar a mão à palmatória, a cara a tapa ou, em outras palavras, visitar a Rainha da Noite.
Foi, como de costume, seco e distante. O palácio onde antes eu vivia já me é estranho, indiferente.
Sabe o que aconteceu ao final? Saí de lá sem tristeza, com a consciência tranquila de que tentei. E desisti. E parti. Para voltar quem sabe quando. Quem sabe?
A história encerrou-se. A lição que tiro é que não espero mais nada daquele reino. E vou vivendo como se a Rainha já não estivesse mais viva.
As escolhas que ela fez, foram só por ela. Eu não vou carregar o peso delas. E não vou me ferir.
Filha da Noite que sou, passei pelas provas e aprendi a seguir adiante.
* "A Filha da Noite", de Marion Zimmer Bradley
Li aos 15 anos, mas só mais tarde entendi de verdade. Reli há pouco tempo e, a cada leitura, a interpretação é diferente.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
A Filha da Noite 1
Quando nasci, uma dose de tristeza passou para mim de minha mãe.
Como o que mãe fala, de forma instintiva, tem muita força, por anos vi o mundo como ela o via. Assim como a mamãe leoa ensina seus fillhotes a caçar e a se defender, e eles acatam tudo o que ela diz, eu também me peguei acatando a tristeza herdada.
Enquanto estávamos sempre juntas, a tristeza era compartilhada e aquilo até nos unia mais. Só que o tempo foi passando, fui aprendendo a encontrar o meu ponto de vista sobre a vida e suas adversidades e descobri que não nasci para ser triste. Não nasci para carregar mágoa, para me sentir uma vítima da situação.
E mais, descobri em mim uma vontade muito grande de ser sempre mais, maior, melhor e mais feliz. Isso, sabia que só dependeria de mim.
Foi daí que comecei a ver algo de constantemente triste nela, uma coleção de mágoas que ela carrega para onde for, um jeito pesado de viver.
Em um certo momento, nos afastamos fisicamente e a relação começou a ter problemas. Uma nova família havia se formado onde antes era a minha. Eu não fazia parte dela. Ao mesmo tempo, minha vida me chamava para outro lugar, para aqueles planos de crescimento.
E um abismo foi lentamente se formando, como aqueles caminhos profundos que a água faz nas pedras por onde passa um rio. Só que o rio não para, ele não pode parar para evitar que as pedras se desgastem. Elas apenas se moldam a ele, pois antes se moldar e o rio continuar do que torcer para o rio secar. Essa é a toada natural.
Mas mudanças nunca foram bem vistas, ainda mais quando envolviam uma antiga mágoa. E o que era para ser natural, se tornou cada vez mais dolorido. Pouco a pouco, conforme a vida ia passando, o abismo ia aumentado e minha voz já não consegue chegar do outro lado. Já não sei o que falar, ela já não sabe me ouvir. Hoje, ela já não me conhece mais, não sabe de mim nada além do trivial que pode ser contado ao telefone em espaçadas ligações por educação.
O vazio de não conseguir cruzar esse abismo e essa distância toda me fazem por vezes esquecer por que quero tanto falar com a pessoa do outro lado. Há momentos em que simplesmente nem o quero mais, quero apagar essa pessoa para ver se para de doer. Mas não para. E não sei como lidar com isso. Não sei o que fazer com esse espinho que se alojou na alma.
Por isso, vou escrever. Até ver se desato esse nó e consigo achar uma forma de encarar um fato consumado de outra forma. Preciso descobrir se ela sempre foi assim para poder me livrar de esperar algo diferente, pois pode ser que esse algo diferente nunca tenha existido e nunca haverá.
Como o que mãe fala, de forma instintiva, tem muita força, por anos vi o mundo como ela o via. Assim como a mamãe leoa ensina seus fillhotes a caçar e a se defender, e eles acatam tudo o que ela diz, eu também me peguei acatando a tristeza herdada.
Enquanto estávamos sempre juntas, a tristeza era compartilhada e aquilo até nos unia mais. Só que o tempo foi passando, fui aprendendo a encontrar o meu ponto de vista sobre a vida e suas adversidades e descobri que não nasci para ser triste. Não nasci para carregar mágoa, para me sentir uma vítima da situação.
E mais, descobri em mim uma vontade muito grande de ser sempre mais, maior, melhor e mais feliz. Isso, sabia que só dependeria de mim.
Foi daí que comecei a ver algo de constantemente triste nela, uma coleção de mágoas que ela carrega para onde for, um jeito pesado de viver.
Em um certo momento, nos afastamos fisicamente e a relação começou a ter problemas. Uma nova família havia se formado onde antes era a minha. Eu não fazia parte dela. Ao mesmo tempo, minha vida me chamava para outro lugar, para aqueles planos de crescimento.
E um abismo foi lentamente se formando, como aqueles caminhos profundos que a água faz nas pedras por onde passa um rio. Só que o rio não para, ele não pode parar para evitar que as pedras se desgastem. Elas apenas se moldam a ele, pois antes se moldar e o rio continuar do que torcer para o rio secar. Essa é a toada natural.
Mas mudanças nunca foram bem vistas, ainda mais quando envolviam uma antiga mágoa. E o que era para ser natural, se tornou cada vez mais dolorido. Pouco a pouco, conforme a vida ia passando, o abismo ia aumentado e minha voz já não consegue chegar do outro lado. Já não sei o que falar, ela já não sabe me ouvir. Hoje, ela já não me conhece mais, não sabe de mim nada além do trivial que pode ser contado ao telefone em espaçadas ligações por educação.
O vazio de não conseguir cruzar esse abismo e essa distância toda me fazem por vezes esquecer por que quero tanto falar com a pessoa do outro lado. Há momentos em que simplesmente nem o quero mais, quero apagar essa pessoa para ver se para de doer. Mas não para. E não sei como lidar com isso. Não sei o que fazer com esse espinho que se alojou na alma.
Por isso, vou escrever. Até ver se desato esse nó e consigo achar uma forma de encarar um fato consumado de outra forma. Preciso descobrir se ela sempre foi assim para poder me livrar de esperar algo diferente, pois pode ser que esse algo diferente nunca tenha existido e nunca haverá.
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