terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Santa Claus is coming to town
Sinto uma calma que há muito não sentia (se é que alguma vez a tive). Então fico pensando nestas datas festivas que hoje não carregam mais nenhum significado, são apenas formalidades sociais ou familiares. Não deveria ser assim, não deveríamos comprar presentes, enfeitá-los com laços e dá-los a alguém porque todos o farão. Deveríamos fazê-lo por querer causar um sorriso, por querer demonstrar que amamos e tentar fazer com que esse amor se torne, de certa forma, material e visível aos olhos. E, se não há laços nem papéis coloridos, então que possamos nos sentar lado a lado e celebrar um dia de calma, sem compromissos, sem a preocupação de uma manhã seguinte com hora para acordar, tendo de importante apenas aquele que passou o ano todo com você, mas que provavelmente, como você, foi engolido pela rotina e se esqueceu de olhá-lo nos olhos.
Pois sugiro um exercício: pegue papel e caneta e escreva uma lista de tudo o que ganhou este ano, e outra com o que perdeu. Escreva mais uma com os momentos em que se sentiu realmente feliz. A última e mais difícil: faça uma lista com os momentos em que poderia ter sido feliz, mas não foi por SUA culpa... Vejamos como nos saímos.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
The Paradox of Our Age
By Dr. Bob Moorehead
The paradox of our time in history is that we have taller buildings but shorter tempers; wider freeways, but narrower viewpoints. We spend more, but have less; we buy more, but enjoy less. We have bigger houses and smaller families; more conveniences, but less time. We have more degrees but less sense; more knowledge, but less judgment; more experts, yet more problems; more medicine, but less wellness.
We drink too much, smoke too much, spend too recklessly, laugh too little, drive too fast, get too angry, stay up too late, get up too tired, read too little, watch TV too much, and pray too seldom. We have multiplied our possessions, but reduced our values. We talk too much, love too seldom, and hate too often.
We've learned how to make a living, but not a life. We've added years to life not life to years. We've been all the way to the moon and back, but have trouble crossing the street to meet a new neighbor. We conquered outer space but not inner space. We've done larger things, but not better things.
We've cleaned up the air, but polluted the soul. We've conquered the atom, but not our prejudice. We write more, but learn less. We plan more, but accomplish less. We've learned to rush, but not to wait. We build more computers to hold more information, to produce more copies than ever, but we communicate less and less.
These are the times of fast foods and slow digestion; big men and small character; steep profits and shallow relationships. These are the days of two incomes but more divorce; fancier houses but broken homes. These are days of quick trips, disposable diapers, throwaway morality, one night stands, overweight bodies, and pills that do everything from cheer, to quiet, to kill. It is a time when there is much in the showroom window and nothing in the stockroom. A time when technology can bring this letter to you, and a time when you can choose either to share this insight, or to just hit delete.
Remember, spend some time with your loved ones, because they are not going to be around forever.
Remember to say a kind word to someone who looks up to you in awe, because that little person soon will grow up and leave your side.
Remember to give a warm hug to the one next to you, because that is the only treasure you can give with your heart and it doesn't cost a cent.
Remember to say "I love you" to your partner and your loved ones, but most of all mean it. A kiss and an embrace will mend hurt when it comes from deep inside of you.
Remember to hold hands and cherish the moment for someday that person will not be there again.
Give time to love, give time to speak, and give time to share the precious thoughts in your mind.
AND ALWAYS REMEMBER:Life is not measured by the number of breaths we take, but by the moments that take our breath away.
Dr. Bob Moorehead is former pastor of Seattle's Overlake Christian Church. He retired in 1998 after 29 years in that post. The essay appeared in 'Words Aptly Spoken,' Dr. Moorehead's 1995 collection of prayers, homilies, and monologues used in his sermons and radio broadcasts.
domingo, 30 de novembro de 2008
A pata do Salomão
Ele falou, e fala como escreve. Ao final, uma fila me aguardava, mas além dela, uma surpresa: o décimo terceiro autógrafo foi meu. Eu olhei dentro de seus olhos quando ele me entregou o livro assinado. Pude balbuciar um obrigada, que não dizia respeito apenas àquele breve movimento da caneta, àquelas duas palavras. Era muito mais do que seu nome em meu livro que eu agradecia. Eram todas as outras palavras, era tudo o que pude viver, sentir e conhecer por suas obras.
Estava satisfeita, mas não totalmente. Em um lado do saguão, sua esposa, seu pilar. E repórteres. Esperei, reuni toda coragem, respirei e levantei-me. Andei até ela, pedi para falar-lhe. Disse que tinha escrito algo que queria entregar a ele. Ela disse-me que entregasse a ela, eu o fiz. Ela me agradeceu (a mim??), abracei-a, disse o prazer que foi conhecê-los, sai.
Uma última olhada para ela, grande espanhola, grande esposa. Ela não o deixou morrer.
Última olhada para ele, ainda dando conta dos 150 autógrafos, grande homem, grande e imortal.
Despedi-me. Fomos embora. Naquela noite, cada minuto foi mais do que pôde tentar prever minha imaginação. Conheci José Saramago.
Devo um agradecimento a mais alguém, o responsável pelo sétimo ingresso e pelo décimo terceiro autógrafo, pela ida e pela reviravolta, pelo inusitado e por tudo o que está por vir.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
No seu dia
Nunca fui ao cinema.
Não gosto de samba, não vou a Ipanema.
Não gosto de chuva, nem gosto de sol.
Sempre gostei de você, de sua alegria,
Às vezes azul, às vezes macia,
Mas seu sorriso sempre presente
Como um raio de sol.
Gosto de cantar e dançar com você comigo
Para me dar coragem, embalar meu vestido
E quando a festa acaba, ir para casa sorrindo.
Mas nem sempre é assim, há momentos tristonhos,
As lágrimas compartilhadas, os medos medonhos,
As dores de amor e de crescer que guardamos.
Com você, até a tristeza fica colorida,
Seu rosado me anima, me faz crer na vida,
E sentir que ao meu lado está minha maior amiga,
A que a vida me deu e que não largo nem num trem de partida.
Pois você guarda em si o melhor pedaço de mim,
Meu coração e minhas memórias queridas
De quando o sol era mais vivo, e as noites menos sentidas.
E por você faço samba, misturo o Tom,
Em minha garganta a Poesia e o Som
São os que vêm não só de mim
Mas também do grande Jobim.
Por você, Ligia.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
This is for us!
If you know the states and the capitals of your country, it's because of your teacher.
If you can read and understand this, it's because of your English teacher.
Everyday we learn and teach, but teachers do it with their hearts and souls. For us, teaching is as vital as breathing.
On October 15th, remember all the teachers you've had in your life (from your parents to your professors) and thank them for giving you the best share of them and to make you who you are today.
sábado, 13 de setembro de 2008
Ensaio sobre o Ensaio
Já entrei na sala munida de lencinho, pois sabia que choraria. E chorei. Chorei por ver a idéia de Saramago numa tela, chorei por ver a sensibilidade de Fernando Meirelles. Chorei por ver. Chorei pelos que não vêem.
Sai do cinema, e o mundo era diferente. Era como se eu também tivesse vivido o mal branco e dele me recuperado.
O mundo é cego e, em alguns momentos, deveria aprender a ser mudo.
Ter olhos em terra de cego não é ser rei, é sofrer por si e por todos. É não ter o que fazer por ninguém, apesar de saber o que precisa ser feito, é estender as mãos para guiar, mas não tê-las encontradas.
Levantei os olhos para o céu. Por um momento, pensei que fosse cegar.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Sentada
Por que me assombrar desmedida?
No escuro, os ecos falam mais alto.
Na solidão, a qual já não sei a extensão,
Tudo dói, o vazio assola, nada consola.
E é sempre o mesmo.
Quero dar vazão a tudo isso.
Objetos, sujeitos e complemento se confundem.
Não consigo ordená-los,
Não quero me sentir assim.
Quero apenas o silêncio.
A paz de espírito, sem culpa,
Arrependimento ou desculpa.
Quero a pena e a lira,
Quero toda poesia.
Para talvez, num outro dia,
Sem afasia,
Eu possa caminhar na areia,
Sentir a brisa, ser sereia,
Ter a cabeça vazia, mas a vida cheia.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
One more night, one less fight
Semana estranha. A vida parecia não estar se encaixando, eu sentia ter atividades de mais e tempo de menos. Na verdade, o que tinha era ansiedade de mais. De repente, foi só respirar fundo que passou.
Pessoas novas vieram, veio a saudade dos queridos, veio o medo e o cansaço, mas também veio a sexta-feira e a sensação de dever cumprido por esta semana.
Quando uma nova fase se inicia, dá uma vontade de tudo novo. Queria renovar meu guarda-roupa, meus sapatos, o corte de cabelo. Acabei renovando apenas os sentimentos e funcionou até melhor do que eu pensei.
Em alguns momentos, nota-se como o mundo é grande e quanto trabalho existe para ser feito. Por outro lado, que também somos grandes e para conseguir completar os trabalhos de Hércules, só é preciso começar. Once you pop, you can't stop. Sentir-se um pouco semi-deus ajuda.
Agradeço aos que investiram confiança em mim, aos que aguentaram as reclamações, aos que seguraram minha mão e me mostraram que sempre estarão ao meu lado, aos que torcem por mim e aos que simplesmente existem e, por isso, já fazem muita diferença.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Avante!
A caminho do campo, dois sentimentos se confundem. Exaustão por tanto querer o certo, o perfeito, o justo, o melhor. Solidão por tanto fazer o certo, o perfeito, o justo, o melhor.
Como um cavalheiro, espada em punho apontando para o alto e olhos mirando o combatente, em meio à luta, atinge-me a dúvida: Quem está comigo? Quem está contra?
Enfraquecer agora é receber o golpe. Não admito a possibilidade do frio metal na carne. A vitória tem de ser minha.
Ao fim de uma batalha, com olhos cansados, o cavalheiro quer embainhar sua arma, mas não pode. Um guerreiro nunca baixa a guarda. A guerra nunca acaba.
Lutando só contra sombras, contra o tempo... Que tempo? Há hora marcada para o fim?
Lutando contra si mesmo, seu pior inimigo é sua própria loucura.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Olha,
Obrigada por mirar meus olhos mareados, por ouvir minhas rimas.
Obrigada por ser insubstituível e por ir, mas levar um pedaço de mim.
Obrigada por contar um caso e me fazer cúmplice do seu devaneio.
Obrigada por me ensinar a dançar e a gargalhar.
Obrigada por me levar em suas costas de super herói.
Obrigada por ser o terceiro elemento de minha santa trindade.
Para cada um que me fez, meu agradecimento.
São sete as maravilhas do meu mundo, são sete por quem navego qualquer um dos mares.
Quem dera ter, em cada dia da semana, um de vocês ao meu lado.
sábado, 21 de junho de 2008
Na corda bamba de sombrinha
Mas que distância pode tornar-se intransponível,
que meu momento não é o de mais ninguém,
que saudade dói quieta, isso aprendo
e admito a cada dia, a cada sol que nasce e cai.
No espelho, a cada manhã visto uma máscara
e interpreto. Assumo o meu papel e não erro as falas.
Não perco as deixas, não escapo das marcações e,
ao fim do espetáculo, o silêncio. Não há palmas nem ovações.
Na platéia, rostos conhecidos são espectros espectadores
No escuro, envolta em eco, destaca-se e me guia.
A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem de continuar.
My make-up may be flaking, but my smile still stays on.
sábado, 31 de maio de 2008
The unbearable lightness of the being
The world seems to be falling apart
The senses disappear and the air is still
The only way to feel free
From the dull atmosphere
Is running without looking back
Without feeling sad
Without going back.
Some moments demand these words
Some others, a more Latin way
Some are so heavy
That I can almost touch them
But for some, I need a shoulder
To support me, help me
Hold all these pieces of a broken day,
of everything but me.
Because I’m standing still
Strong and down-to-earth
For as long as it takes
For the beloved ones
For I need to make my part.
And the only way is stepping the ground.
domingo, 25 de maio de 2008
Dai-me agora um som alto e sublimado
E a munição é feita das dores
Trocamos golpes em forma de liras
E escrevemos uns versos sem pudores
Os traçados sinuosos da vida
Que nossa, que só sua, que só minha,
Procura uma lua morna, colorida,
Para os segredos que o peito mantinha.
E nas idas e voltas, marinheiros,
À deriva, sem norte, forasteiros,
Vislumbramos a margem, sorrateiros,
Juntamo-nos, tentando ser inteiros.
Mas, num momento, perde-se o compasso
Respiremos e dêmos o espaço
Para organizarmos nossos pedaços.
Poeta escreve porque é obrigado.
Para ti, este poema suado.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Bloody questions!
So what?
What if I want to see it?
So what?
What if I want to mean it?
What if I want to speak it?
What if I want to dream it?
What if I want to stick it?
What if I want to find it?
So what?
What if I want to hide it?
So what?
What if I want to try it?
What if I want to hire it?
What if I want to mind it?
What if I want to start it?
What if I want to hold it?
So what?
What if I want to mold it?
So what?
What if I wanted it sold?
What if I want it to grow?
What if I want to go on?
What if I want it for so long?
What if I want to steal you?
So what?
What if I want to heal you?
So what?
What if I want to steer you?
And if I don't want to fear you?
What if I want to feel you?
What if I want to see you?
What if this is a cycle and I don't want to break it?
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Just another brick in the wall?
Veja só o absurdo do mundo em que vivemos. Não estou nem me referindo a Camus, mas sim à diária contradição de viver desta maneira burra, egoísta, sem perspectivas, sem apego (a não ser aos seus bens).
A bela evolução da humanidade nos fez caminhar ao ponto máximo da falta total de consciência. Somos alienados, mesquinhos e infelizes. Porém, camuflamos nossa fraqueza e procuramos, alucinadamente, meios de escapar de nós mesmos. Por isso odiamos o silêncio, não suportamos ficar sozinhos e nos negamos a pensar.
Eis que tomam força os sons desconexos que insistem em chamar de música (para mim, música mesmo é do Chico, é dos Beatles...), surge a incessante necessidade de relacionamentos rápidos e fugazes (e eu aqui, acreditando em final feliz...), aparecem mais e mais formas de intorpecentes como as drogas e a televisão (coloco-as na mesma categoria, pois têm o mesmo efeito alucinógeno, 'numb') e cria-se esta estrutura social em que o intelecto é visto como uma parte do ser humano menos importante do que o apêndice...
Leitura, auto-conhecimento, observação do mundo? Não, melhor ir para a balada. Mas e quando não houver balada? Bom, aí vamos às compras. E quando acabar o dinheiro? Parcela em dez vezes no crédito, você nem sente... Tá, mas uma hora vai ser necessário tomar alguma decisão, em algum ponto de sua vida, você vai precisar olhar para si, ou para o outro. Ah, quando for preciso, eu penso nisso!
É, a sociedade vive à margem de si mesma e não é preciso ser visionário ou gênio (ou índigo) para perceber que cedo ou tarde vamos entrar em colapso. E já estamos a caminho! Veja as notícias, a barbárie está se instalando. Olhe para os adolescentes, que belas cabecinhas ocas estamos cultivando!
Acredito de verdade que a solução não seria uma revolução externa, com armas, pessoas mortas (mais), hinos e bandeiras, mas uma revolução interior, é cada ser humano perceber que é um ser humano (cuja única e undubitável certeza é a de que um dia vai morrer) e que, se estamos na chuva, é para nos molhar, então já que estamos aqui, vamos fazer bem feito, vamos viver. E isso não é apologia à indisciplina ou à vida sem regras (afinal, quem me conhece sabe que não vivo assim). Viver é ver o mundo, é querer mais de si mesmo, é ter gana por conhecer tudo o que for possível e, mais do que isso, é ter em mente que, se não sou capaz de fazer o bem a ninguém, já faço muito de não fazer o mal.
Inspirada por: http://zeitgeistmovie.com/main.htm
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Sem Inspiração
Os que amo e que partiram estão mais presentes hoje em meu pensamento do que nunca. E as noites são eternamente tristes e solitárias.
Como me confundo em meus labirintos, peço a ajuda de Álvaro de Campos, pois minhas palavras já não são o suficiente. Fale, poeta!
Não, não é cansaço...
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
sábado, 29 de março de 2008
C'est la vie
Art is surviving without permitting that your heart becomes a rock.
It is the perfect sky covered with stars, the one that reminds you that there is still a chance.
It is the song that says everything you are feeling and makes you burst into tears.
It is the movie that makes you think about your life and feel comfortable knowing that someone else feels the same way you do.
It is the wind that touches your body and gives you the impression of being hugged.
It is the mirror that shows a different person anytime you look at it.
It is the book that changes your life because it makes you understand human beings.
It is the child that smiles when looks at you and makes you believe that it is worth living one more day.
It is the chocolate that sweets your mouth, but makes you long for a kiss.
It is the calendar that speeds faster than you are able to rip off the sheets of the days.
It is every little thing that tells me that living is an art and surviving is the greatest masterpiece a person can reach.
sexta-feira, 21 de março de 2008
Here comes the sun
The value of things is not part of them,
it's part of us, who see, feel and touch them
Hoping that something or somebody
will fullfil the hole you carry
Is useless, is blindness. Very.
If you expect that walking by your way
on a hot summer day
happiness will call you and just say:
'I'm here to stay'
You may get tired of waiting anyway.
Dig your soul, walk alone
Look at yourself in the mirror
and search for your real self.
It is there,
somewhere.
Beneath your thousands of masks.
Sourrounded by your millions of fears and complexes.
Once you set it free,
you will see
how happiness has always been close to thee.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Anyway the wind blows
Frustração. Estranha sensação.
É o sentir o cheiro do bolo, mas não poder comê-lo.
É o ter sede, chegar à nascente d’água, mas não poder tomá-la.
É o vislumbrar aquele sonho, mas não poder realizá-lo.
É a busca, a procura, a esperança, a aproximação e a queda.
De todos os sentimentos, apenas o vazio fica.
O restante se vai, como o sol ao entardecer.
A saída é começar de novo, para não perder o ritmo, pois a vida é feita disso.
Mas é inevitável olhar para trás e ainda pensar no que poderia ter sido.
Esse espinho entra na alma, vai conosco por todo caminho.
Pink Floyd - Wish You Were Here
So, so you think you can tell
Heaven from Hell
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
And hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?
How I wish
How I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here
domingo, 2 de março de 2008
Hoping for the best, but expecting the worse
Why aren't you here?
Why can't you make a decision?
Why am I always wanting?
Why don't I have you near?
Why does it seem to be a illusion?
Why do I walk on the strees hunting?
Why do I feel this fear?
Why can't you tell me your conclusion?
Am I too little?
Am I too much?
Am I still little
In your eyes?
All these questions in me
And you can't even ease my mind
Don't you believe my feelings?
Wouldn't you like to try?
Do you think I could lie?
Do you wanna see me cry?
Are you planning to make it die?
I've asked you to be with me
You said "trust me"
And now I want to see
Or just let it be
It's not up to me
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
I wear this crown of thorns
O homem tinha uma jaula montada em si mesmo, as grades lhe prendiam os membros por ganchos, espinhos, agulhas e pregos, havia muito sangue. Houve um momento em que ele caiu. Alucinado e já não suportando a dor, perdeu o senso. Tentava, com os dentes, arrancar os espinhos de dentro da carne, arrastava-se pelo chão gritando que não aguentava mais.
Eu, neste momento, pulei por cima dele, que bloqueava o caminho, e precisei me afastar de toda aquela dor. Comecei a descer as escadas e, quando olhei para meus pés pisando os degraus, notei que eu também tinha uma jaula em mim, mas que, ao pular o homem, o prego de meu pé esquerdo havia saído. Eu estava quase livre.
Minha ação seguinte foi a que me levou à epifania, tamanho absurdo.
Então eu descia a escada, no final dela havia um carrasco, não vi seu rosto. Minha reação foi talvez guiada pelo medo, foi o único momento ao longo do sonho em que senti medo. Eu chamei o carrasco e avisei-o, disse que meus pés estavam soltos. Eu não quis a liberdade. Mesmo com a memória da dor dos ferros dilacerando a carne e do peso dor grilhões, imobilizando meus passos, eu pedi que me prendessem novamente. O ferimento em meu pé esquerdo já estava quase cicatrizado, mas eu fui de encontro à dor novamente, eu pedi por ela, eu pedi ao carrasco que não me deixasse livre.
Diga-me, quem por aqui passar e essa história ler, que significado tem este sonho para você. Eu tenho uma resposta, mas esta é apenas minha e não é definitiva, assim como todas as respostas devem ser .
I hurt myself today
to see if i still feel.
I focus on the pain,
the only thing thats real.
The needle tears a hole;
the old familiar sting,
try to kill it all away,
but I remember everything.
What have I become,
my sweetest friend?
Everyone I know,
goes away in the end
(Johnny Cash - Hurt)
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Bitter silk
Pois que por mim passou, ignorando. Com os meus desejos, não se importando. É altiva, de costas, vai se afastando. De mim, o lugar que poderia agora estar ocupando. Vago, frio, com o medo brotando.
Já não sei se corro, ou se vou levando. Cada dia mais longo que o anterior, interminando. Seus passos, hoje, ferem, dilacerando. Aquilo que por ingenuidade, de esperança chamei, brincando. Agora parece ter sumido, me deixando.
We all just want to be part of something bigger than ourselves.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Numb
Suplico-lhes que deixem minha sanidade em paz.
Sinto vontade do que não conheço,
Tenho sonhos com o que nunca vivi,
Vou tão longe, mas quando dou por mim,
Ainda estou aqui.
Enjaulada em minha própria masmorra.
Meu cárcere sou eu, é meu peito.
Quem dera fosse pluma,
Quem dera fosse nuvem.
Antes ser água do que ser pedra.
Melhor seria ser rio do que poça, do que poço.
Estou sufocando, as janelas não se abrem.
Há janelas?
Há saída?
Minha vida.
Não estou mais nela.
E o pesadelo de acordar
Dia após dia
À sombra do que pode ser
Me angustia.
Nada me completa,
O vazio, a ausência
Carrego comigo.
Num cambalear
Entre o torpôr e a demência.
Pois deve ser este o marchar da existência.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Não era mais a mesma, mas estava em seu lugar
No peito, um terremoto de dores
Na mente, um vendaval de memórias
Por onde posso começar a falar daquela que é meu elo à infância, que me ensinou as letras, os hinos e as contas? Aquela cuja canja e o arroz-doce nunca provei melhores. Aquela de quem o cheiro me lembro e os olhos verdes consigo ver o brilho. E se eles não mais se abrirem? E se de lá ela não mais voltar?
Numa vida tão insegura, tê-la em sua casa era minha certeza. Ultimamente não era mais a mesma, mas estava em seu lugar. Já não mais me reconhece, mas conta-me histórias sobre sua neta. Nos raros momentos de lucidez, sorri-me e me chama pelo velho carinhoso apelido, e, nesses instantes, volto a ter o sabor daquela infância tão simples em que passávamos a tarde brincando de corda, porém volto também a ter o terrível medo de perdê-la. Hoje ele me persegue e assusta-me a cada instante, lembrando-me da possibilidade tão próxima de ela partir.
Não posso parar o tempo, tampouco posso fazê-lo voltar. Resta-me deixar a vida tomar seu inevitável rumo e guardar comigo o tesouro que me chamava de tesouro.
Abandonar a infância não foi fácil, mas despedir-me dela será deveras difícil. Impossível pensar nela sem me lembrar de “Meus Oito Anos” de Casimiro de Abreu... Tomo a liberdade de pegar as palavras do poeta emprestadas: E sim, que saudades eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais. Naqueles tempos ditosos, achava o céu sempre lindo, adormecia sorrindo e despertava a cantar. E muito era por sua causa.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Alma Minha
Em seguida, houve a relutância. Não, não era parte de mim, não me pertencia.
Enfim, a redenção. Foi impossível continuar evitando seus olhares, sua pureza.
Toda luta para manter-me distante, indiferente, foi em vão. Seus sorrisos me tocaram, suas mãos me curaram.
Sim, sempre sim para você, anjo. Sou sua, você é meu, é pedaço de mim. Sua vida está tão em minhas mãos que só me resta pegá-lo ao colo e protegê-lo. Não há mais nada meu que eu queira só para mim, é tudo seu, minhas palavras, meu sono, minhas promessas, meus dias, minha lembrança, meu colo.
O meu sol de amanhã é seu. Pois o amanhã é você, e é por você que quero chegar a ver o sol nascer mais um dia.
Uma imensidão numa gargalhada sua, uma lágrima num balbuciar seu, um consolo num abraço seu, sou sua!
Pega-me pela mão e mostra-me um mundo em que a dor e a solidão ainda não foram capazes de ofuscar a luz, essa que sai de seu peito e me ilumina o caminho.
Vamos, juntos, apontando para as árvores dos os mais belos frutos, para os pássaros dos mais belos cantos, as flores dos mais frescos perfumes. Diga-me que isso ainda existe em algum lugar e leve-me até lá.
Deixe-me levá-lo ao colo, protege este coração com suas mãozinhas mornas e faz dele sua morada, nunca deixe-o.
Irmão, meu precioso pedaço do infinito, do inexplicável, do mágico, você entrou em minha vida durante uma madrugada chuvosa, não pude ver quão meu era. A chuva... Corri dela e deixei-o. Ela se foi, hoje já não fujo, fico. Por você.
Seja minha ligação a este mundo, seja meu escape de mim. Salve-me e deixe-me amá-lo.