quarta-feira, 30 de abril de 2008
Just another brick in the wall?
Veja só o absurdo do mundo em que vivemos. Não estou nem me referindo a Camus, mas sim à diária contradição de viver desta maneira burra, egoísta, sem perspectivas, sem apego (a não ser aos seus bens).
A bela evolução da humanidade nos fez caminhar ao ponto máximo da falta total de consciência. Somos alienados, mesquinhos e infelizes. Porém, camuflamos nossa fraqueza e procuramos, alucinadamente, meios de escapar de nós mesmos. Por isso odiamos o silêncio, não suportamos ficar sozinhos e nos negamos a pensar.
Eis que tomam força os sons desconexos que insistem em chamar de música (para mim, música mesmo é do Chico, é dos Beatles...), surge a incessante necessidade de relacionamentos rápidos e fugazes (e eu aqui, acreditando em final feliz...), aparecem mais e mais formas de intorpecentes como as drogas e a televisão (coloco-as na mesma categoria, pois têm o mesmo efeito alucinógeno, 'numb') e cria-se esta estrutura social em que o intelecto é visto como uma parte do ser humano menos importante do que o apêndice...
Leitura, auto-conhecimento, observação do mundo? Não, melhor ir para a balada. Mas e quando não houver balada? Bom, aí vamos às compras. E quando acabar o dinheiro? Parcela em dez vezes no crédito, você nem sente... Tá, mas uma hora vai ser necessário tomar alguma decisão, em algum ponto de sua vida, você vai precisar olhar para si, ou para o outro. Ah, quando for preciso, eu penso nisso!
É, a sociedade vive à margem de si mesma e não é preciso ser visionário ou gênio (ou índigo) para perceber que cedo ou tarde vamos entrar em colapso. E já estamos a caminho! Veja as notícias, a barbárie está se instalando. Olhe para os adolescentes, que belas cabecinhas ocas estamos cultivando!
Acredito de verdade que a solução não seria uma revolução externa, com armas, pessoas mortas (mais), hinos e bandeiras, mas uma revolução interior, é cada ser humano perceber que é um ser humano (cuja única e undubitável certeza é a de que um dia vai morrer) e que, se estamos na chuva, é para nos molhar, então já que estamos aqui, vamos fazer bem feito, vamos viver. E isso não é apologia à indisciplina ou à vida sem regras (afinal, quem me conhece sabe que não vivo assim). Viver é ver o mundo, é querer mais de si mesmo, é ter gana por conhecer tudo o que for possível e, mais do que isso, é ter em mente que, se não sou capaz de fazer o bem a ninguém, já faço muito de não fazer o mal.
Inspirada por: http://zeitgeistmovie.com/main.htm
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Sem Inspiração
Os que amo e que partiram estão mais presentes hoje em meu pensamento do que nunca. E as noites são eternamente tristes e solitárias.
Como me confundo em meus labirintos, peço a ajuda de Álvaro de Campos, pois minhas palavras já não são o suficiente. Fale, poeta!
Não, não é cansaço...
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...