quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Lista de presentes

O que você pediu para o Papai Noel?

Só acreditando em criaturas imaginárias para termos um pouco de esperança no mundo. Das criaturas humanas, só espero o pior.

Minha lista de presentes começa com um brinquedo: minha vida. Nas mãos de um bandido, é isso o que ela parece, um brinquedo. É esse o valor que ela tem para quem não tem nada a perder. Em um segundo eu a tenho, no próximo, posso não ter mais. Quem tem esse poder nas mãos não tem cacife e não deveria ter a responsabilidade da escolha. Ele não sabe o quanto ela vale.

O segundo item, uma peça de decoração, é o respeito. Palavra bonita, que cai bem em discursos, mas que tem se tornado mero floreamento, uma peça oca. A palavra sozinha não diz nada, e as pessoas estão se esquecendo de seu significado real. Te tão fora de uso prático, já nem podemos esperar isso de alguém.

Por fim, roupa: É retro, eu sei, mas acho que deveria voltar à voga, todos deveriam vestir a dignidade. É muito fácil se esconder por trás de disfarces e não ser digno. Olho em volta e noto que o Brasil é construído sem essa peça coringa, praticamente um pretinho básico. As pessoas não têm mais a tal da “vergonha na cara”. Aqui, quem mente e faz o errado é o esperto, o malandro, o que sabe tirar vantagem. Quem faz tudo direito, vive sua vida pensando sempre em fazer o certo para todos, é o Mané, é quem sofre, quando menos espera, uma agressão da sociedade.

No mundo às avessas deste país, chego à mesma conclusão de Camões (quinhentos anos atrás, nas terras da banda de lá do Atlântico): Que os bons é que são castigados pela impunidade das ações dos maus. Alimentamos esta situação diariamente e sinto, mas não vejo como isso um dia cessará!

Fala, poeta:

Os bons vi sempre passar
Camões

Os bons vi sempre passar

No mundo graves tormentos;

E para mais me espantar,

Os maus vi sempre nadar

Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim

O bem tão mal ordenado,

Fui mau, mas fui castigado:

Assim que, só para mim

Anda o mundo concertado.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Páginas tristes

Fico lendo umas notícias e vou, ao final de cada, tendo mais certeza de que estamos indo mal, muito mal.

O Homem, que antes já não tinha isso como uma de suas especialidades, hoje parece saber menos ainda onde fica a tênue linha que separa o certo do errado, do humano e do desumano.

Vemos armas matando todo tipo de gente, vírus se alastrando, a pobreza crescendo, corruptos declarados saindo impunes e estamos tão dentro do problema e, ao mesmo tempo, tão fora, que nos sentimos incapazes de fazer algo.

De tão absortos que estamos nesta realidade, já nos confundimos e enxergamos os valores distorcidos. O problema é quando essa tal linha começa a afrouxar e nós passamos a considerar aceitáveis algumas atitudes.

Como podemos nos acostumar com ideias como guerra, assassinato, tráfico, roubo, corrupção? A que ponto chegamos para acreditar que são normais? Não, não são! E não deveriam ser aceitas. Ao invés de serem temidas e camufladas, como se camufla uma mancha no tapete, deveriam ser combatidas. Mas combater leva tempo, dinheiro. Quem quer comprar a briga?

O problema e, por consequência, a solução começam mais no fundo. Não estão na ponta que vemos, mas na desestruturação dos valores, da sociedade, de tudo o que se coloca (ou não) nas cabecinhas ainda frescas das crianças, dos jovens e que, depois, tentam tirar da cabeça do adulto. Há muito trabalho a ser feito.

E parece que não é uma conclusão tão brilhante e não é necessário ser nenhum gênio para perceber isso. Porém, me parece que é necessário ser um Hércules para encarar esses trabalhos.

Pronto, desabafei.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Espelho manchado

Qual o comprimento de uma lágrima?
Quanto vale um segundo?
O que se esconde por trás da tristeza?

Não solte minha mão,
Não me perca de vista.
Me abrace, que é agora que eu preciso.

De repente, mostrou-se um espelho manchado, com defeitos
Eu não o conhecia assim, não me conhecia assim.

Mais difícil do que culpar
É saber que o culpado é quem o espelho mostra.
E saber que, para consertá-lo,
Vai tempo, vai esforço, vão-se lágrimas.
De tristeza? Sim, por ver essa imagem.
E me decepcionar.

Quero esse espelho recuperado por mim, por nós.
Pois nossa imagem ficará melhor refletida
Se ele estiver inteiro, imaculado.

Ainda há tempo?
Ainda há uma chance?
Me deixa tentar de novo,
Fazer por merecer a sorte que tenho.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Maior Flor do Mundo

Não deve ser surpresa meu apreço por Saramago. Tão pouco deve ser o meu carinho por meu irmão. Colocados ambos na mesma linha, parece não haver relação nenhuma entre os dois. Porém, há. Ainda quando o pequeno ainda nem andava, comprei para ele (e para mim) o livro infantil do grande, "A Maior Flor do Mundo". Guardei-o até o tempo em que meu menino fosse capaz de entender algo ou, no caso dele, de ficar paradinho até o final da leitura. O tempo chegou e eu, numa tarde de sábado, com meu irmão no colo, mostrei-lhe o livro. Seus dedinhos, olhinhos e boquinha repararam, apontaram e comentaram todas as ilustrações e, só depois de vê-las todas, me foi permitido iniciar a leitura.

Acreditem, ela embalou seus sonhos. Pela primeira vez, meu irmão ficou parado, ouvindo uma história até o final, até adormecer deitado no meu colo. Quem o conhece sabe que isso era deveras um feito! E que sensação! A sensação da minha criança deitadinha lá, sonhando talvez com uma flor, perto de mim.

Já que não me é possível dividir esse momento, me resta uma outra opção: Dividir o livro, de forma um pouco diferente, mas com a aparição de um Saramago em massinha e sua voz tal qual no livro.

A quem interessar, sugiro que acessem o link abaixo e se deixem levar pela leveza da animação. São dez minutos ganhos, não gastos. Tenha certeza.

http://flocos.tv/curta/a-flor-mais-grande-do-mundo/

Há, também, para quem quiser saber mais sobre a história do livro e da animação, o blog de Saramago:

http://caderno.josesaramago.org/2009/05/25/historia-de-uma-flor/


*Aproveitando o post, hoje é dia de celebrar um sétimo mês, de todos os que ainda virão, melhores, mais lindos e felizes. A caminhada está começando, e não espero que o caminho seja tranquilo. Contando que sua mão esteja com a minha, passaremos pelas subidas, descidas, curvas e pelas planícies, pois o céu estará sobre nós, nos lembrando de que estamos juntos e que é depois da chuva que aparece o arco-íris.

terça-feira, 17 de março de 2009

Meu Poema

A maioria dos poemas de amor fala sobre solidão. Eu não quero um assim.
A maioria dos poemas de amor tem uma figura intocável. O meu não vai ser assim.
A maioria dos poemas de amor é triste. Para mim, não deve ser assim.


Quero um poema que alcance a leveza dos minutos que flutuam.
Que retrate a felicidade dos dias que sorriem.
Que descreva a beleza dos céus que iluminam.


Quero viver esse poema de amor diferente,
Que vem todo em rimas naturalmente,
Que é escrito diariamente
E que não se acaba com uma lágrima,
Pois é obra de dois corações que o querem para sempre.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Time Tested Beauty Tips

For attractive lips, speak words of kindness.
For lovely eyes, seek out the good in people.
For a slim figure, share your food with the hungry.
For beautiful hair, let a child run his or her fingers through it once a day.
For poise, walk with the knowledge you'll never walk alone.
People, even more than things, have to be restored, renewed, revived, reclaimed, and redeemed; Never throw out anybody.
Remember, If you ever need a helping hand, you'll find one at the end of your arm.
As you grow older, you will discover that you have two hands, one for helping yourself, the other for helping others.
The beauty of a woman is not in the clothes she wears, the figure that she carries, or the way she combs her hair. The beauty of a woman must be seen from in her eyes, because that is the doorway to her heart, the place where love resides.
The beauty of a woman is not in a facial mole, but true beauty in a woman is reflected in her soul. It is the caring that she lovingly gives, the passion that she shows, and the beauty of a woman with passing years only grows!

Sam Levenson

Dizem que este era o poema favorito de Audrey Hepburn. Minha tradução:

Para lábios atraentes, diga palavras doces.
Para olhos amáveis, procure o bem nas pessoas.
Para uma silhueta esbelta, divida sua comida com os famintos.
Para um cabelo bonito, deixe uma criança passar os dedos por ele uma vez ao dia.
Para graça, caminhe sabendo que você nunca caminhará sozinha.
Pessoas, mais do que coisas, precisam ser restauradas, renovadas, revividas, recicladas e reconquistadas. Nunca jogue ninguém fora.
Lembre-se, se você precisar de uma mão, você encontrará uma no fim de seu braço.
Conforme você envelhece, você descobre que você tem duas mãos, uma para se ajudar e outra para ajudar os outros.
A beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, na imagem que ela carrega ou em seu penteado. A beleza da mulher deve ser vista em seus olhos, pois esta é a porta de entrada para seu coração, é onde o amor reside.A beleza de uma mulher não está em uma pinta, mas a verdadeira beleza em uma mulher está refletida em sua alma. Está no cuidado que ela amavelmente tem, na paixão que ela mostra, e a beleza de uma mulher com o passar dos anos só aumenta.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Umas verdades

Para quem ainda não sabe,
Só se recebe o que se dá
Só se é feliz fazendo feliz
Só é possível amar com o coração aberto
Só é possível entender quando se quer entender.

Se para alguém é novidade,
Saudade dói quando falta um pedaço à alma
Amor é bom quando é de verdade
Felicidade existe em qualquer parte
E viver é bom com tranquilidade.

E digo mais:
Não há nada que eu queira mais do que o sol
Não preciso de mais nada além do que tenho
O que quero é ter melhor o que já é meu
E no final, sem pressa, mas com muita vontade,
Conto os segundos para a hora certa.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

MOTIVO

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou se desfaço,
- Não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Cecília Meireles
Este texto está pintado na parede de entrada do querido Instituto de Letras, onde me apaixonei pelas palavras e seus segredos.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Antes de adormecer

Com as mãos juntas, peço que o tempo pare num instante.
Com as mãos apartadas, espero que ele voe.
A vontade e a dedicação, a esperança e uma certeza
Estão em cada momento, em cada palavra.
No ar, mais do que o perfume, paira a calma.
Há felicidade, como nunca pensei haver.
E sou forte, como nunca pensei ser.
Ao partir, sinto que tinha tanto a dizer.
Vem saudade, vêm lembranças.
Mas vem o dia seguinte, trazendo-o novamente.
Então vem o sorriso, e este para ficar.