Já entrei na sala munida de lencinho, pois sabia que choraria. E chorei. Chorei por ver a idéia de Saramago numa tela, chorei por ver a sensibilidade de Fernando Meirelles. Chorei por ver. Chorei pelos que não vêem.
Sai do cinema, e o mundo era diferente. Era como se eu também tivesse vivido o mal branco e dele me recuperado.
A ironia maior foi, durante o filme, após todos os avisos de não usar o celular, ter uma criatura ligando para alguém e batendo papo na fileira de trás. Quem é cego? Cadê a sensibilidade? A falta dela também é cegueira? Afinal, ter olhos apenas para ver, mas não ser capaz de enxergar é o mesmo que ser cego?
O mundo é cego e, em alguns momentos, deveria aprender a ser mudo.
Ter olhos em terra de cego não é ser rei, é sofrer por si e por todos. É não ter o que fazer por ninguém, apesar de saber o que precisa ser feito, é estender as mãos para guiar, mas não tê-las encontradas.
Levantei os olhos para o céu. Por um momento, pensei que fosse cegar.