sábado, 21 de junho de 2008

Na corda bamba de sombrinha

Que tempo e espaço são conceitos abstratos, eu sei.
Mas que distância pode tornar-se intransponível,
que meu momento não é o de mais ninguém,
que saudade dói quieta, isso aprendo
e admito a cada dia, a cada sol que nasce e cai.

No espelho, a cada manhã visto uma máscara
e interpreto. Assumo o meu papel e não erro as falas.
Não perco as deixas, não escapo das marcações e,
ao fim do espetáculo, o silêncio. Não há palmas nem ovações.
Na platéia, rostos conhecidos são espectros espectadores
Retalhos de minhas valiosas memórias.
Mas uma pequena chama se mantém.
No escuro, envolta em eco, destaca-se e me guia.
A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem de continuar.



My make-up may be flaking, but my smile still stays on.

Um comentário:

  1. Ser artista, dádiva ilusionista...
    Cinemtagráfica a arte de criar e de ser espectador!

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