quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sem Inspiração

Dentro de um buraco tão profundo em meu peito, falta-me o ar e perco-me entre os sentimentos. Já não sei se é tristeza, desilusão, cansaço, angústia, incerteza, saudade ou qualquer mistura desmedida de tudo isso e algo mais cujo nome não sei.

Os que amo e que partiram estão mais presentes hoje em meu pensamento do que nunca. E as noites são eternamente tristes e solitárias.

Como me confundo em meus labirintos, peço a ajuda de Álvaro de Campos, pois minhas palavras já não são o suficiente. Fale, poeta!

Não

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

Um comentário:

  1. Julia, pare de carregar fardos. Pare de planejar o futuro e se queixar do passado.
    Eles não existem.
    O que existe é o momento do susto que se chama agora.
    Faça o que você tem vontade, sem medo de tropeçar. E, acredite, você sofre pois isso causa algo que te agrada, lá no fundo.
    Muda essa estória.
    É fácil falar, mais ainda fazer.

    Beijos, saudades

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